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Os excessos da Globo News na cobertura do segundo turno

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A cobertura da Globo News no dia da votação deste segundo turno foi repleta de excessos e comentários bastante afetados. Batidas de cabeça no centro da mesa, ofensas e desqualificações do eleitorado, dentre outros descontroles emocionais, marcaram a programação especial do canal por assinatura, no último domingo (26). Manhattan Connection chegou ao trending topics do Twitter naquela noite, e muitos dos comentários dos internautas eram de reprovação às análises enviesadas e desrespeitosas que ocorreram no Programa, após a vitória de Dilma Rousseff.

Mesmo antes do início da apuração para a Presidência, a mesa redonda da Globo News já dedicava atenção especial a aspectos desfavoráveis ao PT, com destaque para Merval Pereira, que sequer disfarçava seu saudosismo dos tempos de Fernando Henrique e com frequência sentia a necessidade de defender os Governos tucanos, por exemplo, resgatando a importância do Plano Real. As análises de Merval eram tão insistentemente desfavoráveis a Lula, Dilma e o campo do PT, que as próprias colegas de emissora, Renata Lo Prete e Cristiana Lôbo, eram forças a fazer um contraponto, meio que pedindo licença, docemente constrangidas.

De forma geral, as opiniões pareciam dar preferência a aspectos negativos para o PT. Gerson Camarotti, por exemplo, arriscou um palpite para os votos de Pernambuco. Algo temerário, instantes antes da abertura das urnas. E não deu outra: o analista foi traído pelas suas palavras. Camarotti previu uma reação de Aécio em Pernambuco, puxada pelo apoio da família Campos, que renderia algo como 35% dos votos no Estado. Dilma ficaria com 65%. Logo veio a apuração, revelando a petista com 70,2%. Aécio não atingiu os 30%, permanecendo em 29,8%.

Até então, tudo que os analistas tinham eram apostas. E seriam absolutamente razoáveis erros pontuais. A questão era que apontar derrotas do PT parecia uma prioridade. Já desde as participações no Jornal das 10, Renata Lo Prete sempre aproveitava as oportunidades para apontar desempenhos fracos de petistas em Estados como Rio, São Paulo e Paraná, mostrando fracassos, não apenas do partido, mas também do ex-presidente Lula, que teria apostado nos candidatos derrotados. Apesar de vitórias importantes de petistas em Minas, na Bahia e no Ceará. Até derrotas de deputados federais do PT eram apontadas, padrão que não se via para o PSDB ou outras legendas.

A apoteose anti-petista da Globo News ocorreu quando a programação especial de apuração foi sucedida pelo Manhattan Connection. Caio Blinder chegou a cogitar impeachment da Presidente Dilma, a partir do escândalo do “petrolão” (o que quer que isso seja). Ricardo Amorim não tinha dúvidas sobre o fator decisivo para o resultado presidencial: o Bolsa Família. E Mainardi chegou a chamar o Nordeste de “bovino”, por ter contribuído para a vitória do PT. As análises resvalam para o ridículo, de tão superficiais e desqualificadas. A Globo News precisa decidir se quer ser o canal de um dos eleitorados, ao estilo Fox News, ou se quer ser um canal do público brasileiro. Afinal, tanto eleitores do PT quanto do PSDB precisam pagar a assinatura.

Ruan Carlos Brito é graduado em Comunicação Social pela UFPA, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, especialista em Comunicação e Política pela UFBA, e membro do GITS – Grupo de pesquisa em Interação, Tecnologias digitais e Sociedade, da UFBA. Twitter: @CrapulaMor.

Ruan Carlos Brito

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