Que vale mais: um cidadão ou uma associação deles?

Uma das questões primordiais da teoria democrática é a que trata da participação política. A consideração do cidadão e suas opiniões no processo de tomada de decisão é um ponto importante para qualquer modelo de democracia. É claro que varia a importância que se dá a isso e os processos que estão vinculados a essa participação. Ela pode acontecer só no momento eleitoral ou em mais ocasiões, mediante discussão ou simples emissão de opinião, enfim, segundo diversos modelos. Mas o que me interessa discutir aqui é um aspecto específico dessa participação: quem participa.

Se por um lado é razoavelmente óbvio que quem deve participar é o cidadão, por outro é preciso observar que na dinâmica social esses cidadãos muitas vezes encontram-se organizados em associação as mais diversas. Sindicatos, associações de bairro, movimentos de reivindicação por uma determinada causa são agrupamentos de cidadãos geralmente ansiosos por participar. E a questão que se coloca é: a participação da chamada “sociedade civil organizada”, representada por essas diversas corporações de indivíduos, pode ser considerada como equivalente ou representante de toda a sociedade civil? Ou o indivíduo “avulso” teria também o direito de participar?

Se não pensarmos na ordem do direito, mas sim no aspecto normativo da democracia, o que interessaria a esse sistema seria a participação do cidadão enquanto ser social, participante de um contexto amplo para o qual deseja contribuir. Não é útil a democracia a participação visando exclusivamente o benefício pessoal – apesar de se supor a existência desse tipo de comportamento – portanto, em que âmbito seria mais provável que os desejos de participação se manifestassem enquanto desejos coletivos? Isso seria mais provável para um agrupamento de cidadão, geralmente direcionados a uma questão bastante específica do seu grupo ou para o cidadão avulso, muitas vezes isolado de outras realidades sociais diferentes da sua?

As opções não são excludentes, mas pensar nessa questão me parece crucial para refletir sobre modelos de democracia e de participação política. E quando damos um passo além e nos deparamos com as possibilidades de participação via internet, se torna ainda mais importante compreender de que participação estamos falando, quem pode e deve participar e que benefício isso pode trazer para a democracia.