Princípios editoriais da Globo: pra quê?

A Rede Globo lançou, no último sábado, um documento com princípios editoriais que devem reger todos os produtos da empresa. Além de ser disponibilizado na internet, o documento foi amplamente divulgado nos programas de televisão da emissora. O que me interessa aqui não é tanto refletir sobre o conteúdo desse documento (isso rende outro post!), mas discutir o porquê de a Globo divulgá-lo nesse momento.

Duas motivações me ocorreram de imediato. A primeira surgiu do discurso do próprio Bonner, ao divulgar o material na edição do Jornal Nacional de sábado. Ele fez alusão à internet, ao fato de qualquer pessoa poder divulgar notícias e usou o argumento da questionável credibilidade dessas informações. Segundo ele, os princípios da Globo serviriam exatamente para diferenciar as notícias da Globo desse turbilhão de informações de fontes diversas que circula na rede.

Se, por um lado, esse argumento me parece muito justo, já que, de fato, há diferenças significativas – em termos de critérios e processos de produção da informação – entre o material gerado por uma empresa de comunicação e aquele gerado por qualquer usuário, por outro, o próprio fato de considerar necessário fazer essa diferenciação me parece relevante. De alguma forma, é dar a essas outras fontes de informação um status de importância.

Um segundo motivo que me parece claro na atitude da Globo é o de renovar o contrato de confiança com o espectador. Trata-se de uma forma de tentar reafirmar a qualidade e seriedade do material produzido pela empresa e também de se mostrar transparente, disposta a divulgar seus funcionamentos internos. Em um momento em que tanto emissoras concorrentes tem ganhado espaço, quanto outras fontes de informação tem se tornado importantes para os espectadores, me parece uma estratégia muito coerente.

[author] [author_image timthumb=’on’]https://www.imakay.org/compol/wp-content/uploads/nina.jpg[/author_image] [author_info]Nina Santos é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia – UFBa e pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital e Governo Eletrônico (CEADD-UFBA).[/author_info] [/author]