Prefs e Alckmin cinzas. Lula e Dilma coloridos. Hipocrisia, oportunismo ou política?

 

Fonte: G1
Fonte: G1

A Prefs de Curitiba, a prefeitura mais legal do Brasil, não coloriu seu perfil no Facebook. Em cada postagem da prefeitura, há dezenas de pedidos de usuários da rede pela mudança, inclusive tentando levantar as hashtags #MudaCuritiba e #CuritibaRainBow, entre outras. Depois de alguns anos para se tornar a prefeitura mais descolada do Brasil e depois de inúmeros posts de repúdio à homofobia e de apoio aos homossexuais, houve, aparentemente, uma quebra da confiança pela expectativa. Diversas outras prefeituras, como a do Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, fizeram a mudança.

 

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DA mesma maneira, rapidamente o Fla-Flu da política brasileira entrou em ação. Denotaram que Dilma e Lula mudaram suas fotos. Alckmin, Serra , Aécio Neves não o fizeram. Nem Marina Silva escapou. O questionamento segue do significado simbólico disso.

politicos

 

Enquanto é possível se fazer alguma inferência, outros também levantaram a possível hipocrisia no caso, especialmente de Dilma que barrou o kit anti-homofobia nas escolas brasileiras com medo de perder apoio da ala evangélica ou conservadora do Congresso Nacional. Já, por exemplo, Geraldo Alckmin aprovou em São Paulo a Lei Estadual 10.948 em 2001, que dispõe sobre penalidades às práticas discriminatórios fundadas em orientação sexual.

 

Diante disso, Dilma seria hipócrita e Alckmin seria discreto?  Seria a Prefs covarde e Dilma oportunista? Em política, é sempre complicado as coisas serem preto no branco (ou neste caso, coloridas).

Em relação à Prefeitura de Curitiba, é interessante como desde o movimento de colorir os avatares, o perfil não responde o assunto. Porém, desde ontem tem postado ou repostado sobre ações ligadas a Direitos Humanos na cidade. Aqui, é difícil falar sem especular muito, já que não é algo transparente ou na esfera pública. Talvez este seja o limite. O Paraná, no geral, e Curitiba, em específico, são conhecidos como lugares basicamente conservadores. O próprio perfil mais progressista da Prefs é, sem dúvida, um grande avanço e talvez hoje tenha chegado ao seu limite. Não dá para falar muito sem especular aqui, mas desfazer um senhor trabalho de Comunicação Pública nas redes digitais por um momento me parece excessivo.

Em relação à Dilma, Lula e outros oportunismos. Por um lado, eu não tenho algo contra este tipo de oportunismo político. Não acredito que uma política só é justa, boa e verdadeira quando o agente político age de boa fé, sinceridade e intenções democráticas. Parece-me do jogo democrático que um político, partido ou grupo apoiem determinada política, porque ela dará um bom retorno eleitoral. Claro que esta ideia não segue ao limite, ou teríamos uma tirania da maioria. Mas nos casos em especial que aumentam os direitos humanos e/ou protegem grupos minoritários ou excluídos, parece-me uma troca que eu aceito de bom grado.

Então, no mínimo, Dilma e outros são hipócritas? A política, no geral, é construída em cima de contradições. A grosso modo, os candidatos com mais chances serão aqueles que apresentaram os discursos mais ambíguos e mais próximos ao centro no maior número possível de temas que lhes for possível. A negociação política demanda que políticos, partidos ou grupos façam movimentos contraditórios. Ora, avançam e ora recuam no sentido totalmente oposto. Por exemplo, o PT, historicamente, tem em sua base ideológica uma defesa de grupos minoritários, o que inclui os grupos LGBTs. Lula e Dilma já reafirmaram este compromisso em inúmeras vezes. Porém, nem Lula trouxe grandes avanços na área e nem Dilma foi capaz de atender às expectativas.

Ainda assim, lá estão ambos coloridos. Hipocrisia? Política. Como em toda boa disputa, há momentos de avançar e momentos de recuar. Especialmente, o chefe do Executivo de um presidencialismo de coalizão está constantemente envolvido em disputas, negociações, barganhas e afins. Um fim de um kit-antihomofobia cai para que um determinado projeto que o governo considera como mais importante passe. Real Politics! Não há inclusive necessidade de avaliar como algo depreciativo ou ruim, já que o Congresso, teoricamente, representa a diversidade de perspectivas presentes na sociedade. Neste caso, para mim, Dilma e o PT não podem ser acusados de hipócritas. No máximo, podem ser acusados de não estarem suficientemente dispostos a gastar o capital político do governo por esta causa. O que não é pouco. Em especial, perdeu-se uma boa chance de aprovar leis e políticas públicas que protegessem relações homoafetivas. Algo que será muito mais difícil no atual momento com nosso Congresso tão conservador.

Da mesma maneira, é duro julgar Alckmin e outros políticos por não aderirem à causa. Comparar Alckmin e Serra com Levy Fidelix e Pastor Everaldo é, no mínimo, um oportunismo. Do tipo negativo. Provavelmente, estes políticos do PSDB são mais à Direita e mais conservadores que o PT. O que não significa que sejam homofóbicos ou mesmo especificamente contrários às causas LGBT. Nestas questões, as minúcias são importantes. O caso de Alckmin em São Paulo é um bom exemplo de como o PSDB em diversas questões se comporta mais à esquerda do espectro.

Agora, diante do atual contexto do Congresso Nacional e destas disputas, ingênuos são aqueles que acham que isto é apenas “modinha”. Um perfil em rede social de um candidato, partido ou político é dirigido por uma assessoria de Comunicação profissional e especializada. É, teoricamente, baseado em um plano de Comunicação e em princípios da Comunicação Pública, uma vez que é uma forma oficial de Comunicação Pública do ator político. É um instrumento direto de contato com seus constituintes e seguidores. É um modo de difusão direta de mensagens. E importante. É algo sobre constante escrutínio público. Em especial, do jornalismo profissional. É ingênuo também acreditar que é apenas para aderir a uma causa ou “modinha”. E que não há consequências. Na prática, ao tanto colorir seu perfil quanto do perfil oficial do Planalto, há um posicionamento político claro de Dilma e de seu governo. Algo que é simbolicamente importante para a luta. Ou seja, trata-se de uma causa com apoio da Presidente da República.

A verdadeira questão é se veremos alguma ação sobre a questão no futuro. Se, em algum momento, este apoio simbólico vai efetivamente se converter em apoio político. Se o governo vai, até o final da gestão, se posicionar de maneira mais forte e estar disposto a gastar seu capital político para tanto.

Em outras palavras, ontem recuou, hoje avança. Esperemos que continue nesta direção.  Que tal um Planalto colorido como a Casa Branca?

Fonte: G1
Fonte: G1