Ondas e acontecimentos políticos: o que não pode cair no esquecimento

São tantas as notícias, tantos os escândalos políticos que (permitam-me o trocadilho), o que era um tsunami pode, de um dia pro outro, simplesmente virar uma marola. Durante esta semana, por exemplo, na terça o Palocci caiu da Casa Civil e na quarta quase caiu no esquecimento, pois o STF julgou a extradição do italiano Cesare Battisti. Na quinta (8), ontem, os meios de comunicação voltavam suas atenções à possível saída de Luiz Sérgio do Ministério das Relações Institucionais.

Em meio a todas essas ondas de notícias – e digo ondas porque a estrutura e dinâmica do modo como esses eventos são tratados pelos veículos de informação são, de fato, análogas ao fenômeno: são notícias intensamente comentadas pelos media que, quando pensamos que o assunto já se esgotou, tratam de relembrar eventos ligados à onda e fomentá-la. Na queda de Palocci, por exemplo, a mídia lembrou o escândalo em que este esteve envolvido quando ministro da fazenda do governo Lula, lembrou também os outros ministros da Casa Civil que caíram ultimamente, como o caso Erenice Guerra.

Pois bem, em meio a todas essas ondas, até os consumidores mais assíduos de noticias políticas já devem ter esquecido o episódio que envolveu a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Se de um dia para o outro as notícias já correm o risco de serem esquecidas, o que dizer de uma operação que aconteceu em 2009? Façamos um esforço. Ela foi uma das flagradas em vídeo recebendo dinheiro de propina de Durval Barbosa, aquele que delatou o esquema de corrupção que veio a tona com a Operação Caixa de Pandora, em outubro de 2009. Relembro o caso porque o relator do processo, Carlos Sampaio (PSDB-SP), pediu a cassação da deputada nesta quarta (8).

Podemos até entender o mecanismo das ondas, a euforia dos media quando estoura um escândalo (e não falo aqui, apenas, de escândalos políticos), a tentativa de mantê-lo no noticiário e a busca dos meios de comunicação por uma onda nova quando a antiga parece já estar perdendo força. Mas devemos ficar atentos para que um acontecimento não ofusque a importância de outro. Não podemos esquecer, porque Palocci caiu, ou porque o STF decidiu libertar Battisti, que a deputada Jaqueline Roriz foi acusada de quebra de decoro parlamentar, que o relator do processo pediu a cassação e que, por 11 votos a três, o Conselho de Ética da Câmara aprovou o relatório do deputado Carlos Sampaio que pedia a cassação de Jaqueline Roriz. Chamo a atenção para o fato de que a história ainda não acabou, pois a parlamentar ainda pode apresentar recurso. Fiquemos atentos e cumpramos com o nosso papel de cidadãos vigilantes, para o bom funcionamento do sistema político e, por conseqüência, da democracia.