O “X” da questão

* Didi Pasqualini

Pesquisa divulgada há algumas semanas no O Globo pela empresa MDA apresenta Dilma Rousseff em vantagem nas eleições deste ano. Seus 43.7% contra 17% de Aécio Neves mostram que o cenário nesta pré-campanha que os candidatos já fazem é amplamente favorável à petista. Mesmo com Marina Silva na disputa, a avaliação do instituto com base na mostra feita aponta Dilma como favorita e ainda venceria no primeiro turno. O que é possível analisar com certa acuidade neste momento é que a polarização PT x PSDB vai se manter, com poucas possibilidades de aparecer outro candidato com estrutura, tempo de televisão e rede política ampla que tenha lideranças em todo o País para dar suporte à candidatura.
Hoje, o apelo e estrutura discursiva dos candidatos é outra. Até porque muita coisa vem pedindo nova visão política. Diferentemente de 2010, pesam sobre Dilma os anos de poder, e sobre Aécio, a recuperação daquilo que fez, principalmente quando governou por dois mandatos o Estado de Minas Gerais. Os currículos de Aécio e Serra são parecidos, governaram seus Estados, tiveram forte influência no Legislativo, na Câmara e no Senado e estão dentro de um partido político estruturado. Diante da análise do objeto, é muito interessante a aproximação de outro quadro, também com base em pesquisa eleitoral feita pelo Vox populi, em 2010, quando Serra e Dilma disputaram a eleição.
Vale a pena considerar alguns dados para tentar interpretar e antecipar a situação eleitoral que acontece no segundo semestre, com eleição em outubro. Partimos de dois comportamentos distintos: hoje, Dilma está na frente e governa. Em 2010 Serra também estava na frente e era governo. Assim, estar ou não na frente e vencer depende fortemente deste fato: usar a máquina. Ela pode ajudar ou atrapalhar. Saber aproveitar e administrar esta vantagem está diretamente ligada à rede que se constrói e dá sustentação. Em 2010 Dilma estava bem atrás, mas a rede do ex-presidente Lula (que governava) e do PT estava em ascensão; e também pesou a possibilidade de uma mulher dirigir o País. A novidade, alimentada principalmente pelo presidente, criou o que se chama de necessidade despertada, algo que seria útil, demanda que já estava consagrada na sociedade que via com bons olhos a mulher como administradora, depois de tantas lutas pela igualdade de direitos. Foi apelo à imaginação, emoção e a narrativa baseada em crença, religião, teoria social, etc.
Só para lembrar: nas primeiras pesquisas do Vox em dezembro de 2009, Dilma aparecia com 21%, enquanto Serra estava com 46% e tudo indicava que venceria no primeiro turno, assim como Dilma agora. Em janeiro de 2010, já o quadro muda radicalmente, Dilma chega a 29% enquanto Serra perde quase oito pontos e chega a 38%. Seu trunfo no primeiro turno já estava ameaçado. Em março do mesmo ano Serra se mantinha no mesmo patamar e Dilma encosta, chegando a 33%. O “X” – ou seja, o candidato que estava abaixo ultrapassar quem está acima – aconteceu quando, em maio, o instituto divulga Dilma com 38% e Serra com 35%.
É possível arriscar um vencedor. Este terá de deter o domínio político, que é o que na verdade qualifica o poder. Assim, vai prevalecer aquele que conseguir impor suas ações, fomentar representações de ideias que já estão na mente da maioria da população. De todos os candidatos, saber em quem a população crê em maior grau pode ser um dado esclarecedor, pois crença não se muda do dia para a noite. Uma coisa é estar na frente a outra, bem diferente, é em quem cada um acredita e deposita seu voto.

*Diógenes (Didi) Pasqualini é Jornalista, Especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral e Doutorando em Comunicação e Semiótica. E-mail: [email protected] Twitter: http://twitter.com/didibr. Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4484393Z8.