O perfil dos manifestantes

Compreender o perfil dos manifestantes foi a intenção de duas recentes pesquisas do grupo Opinião Pública da Universidade Federal de Minas Gerais. Na primeira bateria de entrevistas, realizadas em abril de 2015, com apoio da Agência Press Consultoria, além de possibilitar entender quem eram os manifestantes e quais as principais reivindicações, a pesquisa “Perfil ideológico e atitudes políticas dos manifestantes de 12 de abril” também resultou em um curta metragem, em parceria com o Centro de Convergência em Novas Mídias também da UFMG: A culpa é das estrelas – a manifestação.

No último fim de semana, a equipe do grupo Opinião Pública voltou às ruas para novas entrevistas e, mais uma vez, com a intenção de entender quem são essas pessoas que estão nas ruas pedindo a saída da presidente Dilma e quais os principais motivos das reinvindicações.

A nova pesquisa, realizada em 16 de agosto, em Belo Horizonte, confirmou o que já havia sinalizado o trabalho anterior e o que muitos especialistas têm discutido nos últimos dias, diante dos debate instaurado acerca dos problemas políticos e econômicos do Brasil. O perfil político ideológico dos manifestantes mostra, em geral, uma visão conservadora em que a maioria discorda (60,4%) da liberação e legalização do consumo de maconha,           discordam e pedem o fim das cotas raciais (64,7%), discordam da legalização do aborto (53,5%), concordam com a redução da maioridade penal (74,5%), entre outros aspectos.

Grande parte (55,1%) concorda que o maior problema do Brasil hoje é a corrupção, superando problemas como os existentes na saúde (8,3%) e na educação (6%). Para 40,8% dos entrevistados, a solução para os problemas que o país enfrenta hoje é a saída por impeachment da presidente Dilma, ao passo que 36,4% também concordam com a saída dela, no entanto, acreditam ser necessário a renúncia ao cargo presidencial.

Dos entrevistados, 44,9% declararam ter votado em Dilma para presidente, contra 53,9% que votaram em Aécio Neves. E 52,5% afirmam que se sentem frustrados em relação ao Brasil, 20,5% sentem raiva e 16,6% afirmam ter medo em relação ao futuro.

Em respeito a intervenção militar no país, 46,8% dos entrevistados concordam totalmente/em parte e 47,2% discordam totalmente/em parte.

Dados

Amostra: 434 entrevistas

Margem de erro: 4,62 pp

Data do campo: 16 de agosto de 2015 – entre 8h30 e 17h

Local: Praça da Liberdade, Belo Horizonte

Fonte para consulta: em breve

www.opiniaopublica.ufmg.br

Foto de Luciano Marra
Deputada Federal Jandira Feghali (PCdoB) contrária aos protestos do último dia 16 de agosto / Foto de Luciano Marra