#Mensalão

Dentre os diversos casos de corrupção ocorridos no Brasil, o “mensalão” talvez foi e tem sido o que mais repercute na mídia. Em 6 de junho de 2005, o então deputado Roberto Jefferson, em entrevista à revista Veja, denunciou o esquema do “mensalão” e utilizou esse termo pela primeira vez na mídia. A partir disso, o termo “mensalão” ficou conhecido por todos e acabou sendo incorporado ao vocabulário dos brasileiros.

Na internet temos as hashtags, ou simplesmente tags, que são palavras-chave que permitem entre outros, o direcionamento de conteúdos e temas. E a partir da frequência de seu uso, é possível observar e, mesmo, mensurar aspectos como a visibilidade. Para compreender melhor as tags, é interessante fazer uma ponte com a noção de fórmula discursiva proposta por Krieg-Planque (2010). Segundo a autora, uma determinada palavra ganha o estatuto de fórmula discursiva, de modo geral e pensando no termo “mensalão”, por meio do uso que se faz da palavra. A fórmula discursiva adquire um caráter referencial, em função de a mesma “evocar alguma coisa para todos num dado momento” (KRIEG-PLANQUE, 2010, p.92).

Em uma perspectiva próxima, Lima (2006) aborda o surgimento e a incorporação do termo “mensalão” além de uma série de outras palavras/expressões derivadas na época em que o escândalo ficou conhecido (LIMA, 2006, p.15): mensalão, mensaleiros, CPI do mensalão, pós-mensalão, valerioduto, CPI chapa-branca, homem da mala, doleiro do PT, conexão cubana, operação Paraguai, conexão Lisboa, república de Ribeirão Preto, operação pizza, dança da pizza, entre outros. O autor lembra, porém, que o sentido de tais palavras/expressões não pode ser descolado de seu contexto, ou seja, elas são utilizadas para expressar de maneira sintética situações mais amplas, ou, por vezes, polêmicas e que podem trazer várias interpretações e pontos de vista. Ao que Lima (2006) atribui o nome “rótulo”, oportunamente, chamamos na internet de tag.

Esses rótulos tornam-se recorrentes na mídia e nos comentários dos atores na rede e, assim, se incorporam ao vocabulário cotidiano dos cidadãos. E vale destacar que saber utilizar as tags pode demonstrar a apreensão da lógica midiática; representa o conhecimento dos meandros da visibilidade na internet (BAPTISTA, 2013).

 

Referências

BAPTISTA, Erica Anita. Internet e escândalos políticos: a corrupção e as eleições municipais de 2012. V Congresso da Compolítica, Curitiba, 2013.

KRIEG-PLANQUE, Alice. A noção de fórmula em Análise do Discurso: quadro teórico e metodológico. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

LIMA, Venício. Mídia: crise política e poder no Brasil. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2006.