Entre o eleitor e o voto, a mídia

* Diógenes (Didi) Pasqualini
Quando se trata de comunicação, não existe mais barreira entre o eleitor e o voto, e, sim, mediações que aproximam ou afastam um do outro. Vivemos uma realidade midiática estrondosa – bem diferente daquela a qual fomos acostumados, tendo o rádio, a TV e o jornal como principais meios de informação, formadores de opinião e ponte entre a sociedade e as instituições. Muita coisa muda quando o assunto são os meios e as pessoas em rede. O que permanece inalterada é a relação de poder entre as instituições, a mídia e a política que envolve tudo isso.  O que se pretende analisar aqui é exatamente esta “convivência” e o comportamento do eleitor diante das tecnologias, e como o marketing político é inserido neste contexto de profunda mudança, agitação e legitimação de novo quadro de poder.
Observa-se claramente certa empolgação na substituição de um meio novo pelo velho, como se a ideia de mídia fosse produto tangível, que é substituído pelo modelo mais “cool” lançado a cada três meses ou por aquele aparelho bacana que leva milhões a uma fila para a sua aquisição. Não é bem assim, e quem pensa por esta lógica acaba se decepcionando.  Inicialmente é bom deixar bem claro que persistirão a convivência e a codependência entre os meios “tradicionais e modernos”.
Em primeiro lugar, é sempre bom estabelecer os conceitos de mídia e política de que vamos tratar aqui. Grosso modo, por “mídia” entendem-se as instituições que detêm tecnologias para a comunicação humana e política, e que têm origem na Grécia com as “polis”, ‘cidade, urbano, civil’, etc, que diz respeito ao município, às aglomerações urbanas. Em segundo, ser tributário ao sociólogo espanhol Manuel Castells e às ideias que inspiraram esse texto.
Como instituição de poder, os meios de comunicação ocupam lugar de destaque na sociedade. Mas, para que isso ocorra, é preciso ocupar espaços, chegar a todos os lugares, consolidar-se em rede. Historicamente isso vem acontecendo. No início com os jornais e revistas, depois com o rádio, com a televisão e, atualmente, com as redes digitais. Observar esta evolução e sobrevivência é possível perceber a codependência entre as mídias, ou seja, é possível entender que um não substitui o outro.
De maneira geral, que se percebe é que os grandes conglomerados de comunicação (mídia tradicional) são centralizadores da informação, imprimem qualidade ancorada ao reconhecimento de seus profissionais, entre outros fatores. Os meios digitais em rede são descentralizadores e têm por característica uma interação mais rápida com o seu leitor. O que há em comum é que há agendamentos mútuos, onde um influencia o outro e ambos refletem esta influência no meio. Assim os dois meios ampliaram o espaço de poder, o que constitui aumento da dependência política aos meios. Antes essa “agenda” era mais restrita e “controlada”.
O marketing político deve ser pensado em rede. Os “nós” desta malha são os diferentes meios, que conversam com a sociedade e como ela interage com o sujeito político e assim as nossas realidades e os símbolos ganham contornos e ocupam espaço na mente das pessoas. A ocupação de múltiplos espaços midiáticos faz parte de uma importante estratégia em uma campanha eleitoral. Pensar neste ou naquele meio isoladamente como evento midiático pode não funcionar, pois os meios são codependentes um do outro. Precisamos entender isso direitinho.
*Diógenes (Didi) Pasqualini é Jornalista, Especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral e Doutorando em Comunicação e Semiótica. E-mail: [email protected] Twitter: http://twitter.com/didibr. Lattes, acesse: http://lattes.cnpq.br/6979019004115699.
 
Referências:
CASTELLS, Manuel. Communication, Power and Counter-power in the Network Society. International Journal of Communication, 1, p. 238-266, 2007.