Dilma Bolada: a importância do oficioso, diante do oficial.

Dilma Bolada, uma caricatura e espécie de alter ego da presidente Dilma Rousseff, tem feito sucesso nas mídias sociais. Mais de 200 mil usuários já curtiram a página no Facebook. No Twitter, já são 90 mil seguidores, de uma conta que já ganhou o prêmio internacional Shorty Awards na categoria de humor. Comentários da personagem ganham respostas de Ministros de Estado e repercutem até em grandes jornais. Jeferson Monteiro, estudante carioca de 22 anos e criador da Dilma Bolada, propõe as situações mais fantásticas, supostamente vivenciadas pela presidente. De trotes à Cristina Kirchner ou churrascos com Obama, a bullying contra a esposa do vice-presidente da república, Dilma Bolada vem chamando atenção e expandindo suas redes. Uma das mais recentes investidas da personagem foi o reality Big Brother Brasília, em que alguns dos participantes são Marcelo Crivella, Tiririca, Romário, Graça Foster e, claro, Marcela Temer.

Boa parte dos comentários de usuários na página do Facebook é de elogios dos ‘súditos’, como sempre define Dilma Bolada. Uma das principais características da personagem é a absoluta falta de modéstia. Os usuários entram no clima da brincadeira e, frequentemente, endeusam a presidente fake. Mas a sátira não escapa do debate efetivamente político. Muitas pessoas fazem críticas reais, no mérito dos eventos abordados nas postagens, conforme vemos na imagem abaixo. O criador da Dilma Bolada não se furta a esse tipo de embate, e revida contra “a tucanada”, sejam militantes desconhecidos, sejam os principais líderes do PSDB, como o presidenciável Aécio Neves. Variações do slogan do Governo Federal, “país rico é país sem pobreza”, são comuns, e as hashtags são destaques no texto do criador da página.

A personagem constantemente divulga as agendas da presidente real, suas viagens, participações em eventos, discursos, ou mesmo os programas federais, como o Minha Casa Minha Vida, sempre a partir de um enquadramento favorável ao governo e de forma atrativa. Alguns acham o humor de um tipo enviesado, ideológico ou adesista demais. É difícil mensurar até que ponto a personagem pode gerar efeitos positivos para a imagem da presidente de fato. As pessoas são capazes de discernir uma abordagem humorística de opiniões políticas reais. Além disso, o público da internet é bem restrito, diante do total da população. Porém, é possível verificar que, no mínimo, estes perfis fictícios acabam por gerar visibilidade favorável para Dilma, a Rousseff, e seu mandato.

Em um bate-papo com mais dois criadores de paródias da presidente (Gustavo Mendes, do Casseta & Planeta, e Renato Terra, da Revista Piauí), Jeferson Monteiro relatou que acredita ser uma consequência “que as pessoas passem a gostar mais da Dilma” (6’20’’). Parte significativa dos brasileiros responde bem a esse tipo de abordagem mais irreverente, que não se leva a sério. Mesmo sabendo que o perfil é fictício, as pessoas podem associar os conteúdos cômicos à imagem real da presidente, avalia Jeferson. Partindo deste pressuposto, temos uma prática espontânea, informal, desenvolvida por alguém sem especialização convencional ou vínculo oficial, gerando conteúdos que se tornam relevantes pela proporção que tomam, e que ainda podem ser, no ambiente online em que atuam, bastante positivos para uma governante. Possivelmente, mais benéficos até do que as estratégias oficiais que a própria Secretaria de Comunicação Social vem desenvolvendo para internet. Sobre essas últimas, ouve-se falar muito menos nas redes.

[author] [author_image timthumb=’on’]https://www.imakay.org/compol/wp-content/uploads/Ruan-01-rosto.jpg[/author_image] [author_info]Ruan Carlos Brito é graduado em Comunicação Social pela UFPA, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, especializando em Comunicação e Política pela UFBA, e membro do GITS – Grupo de pesquisa em Interação, Tecnologias digitais e Sociedade, da UFBA. Twitter: @CrapulaMor. [/author_info] [/author]