A voz das Gerais

O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), em entrevista ao programa “É notícia” da Rede TV, garantiu a defesa de seu Estado, de sua mineiridade e de seu antecessor. Interessante notar que ele procurou voltar os temas para dentro de Minas, justificando os acontecimentos e as escolhas.

Foto: Érica Anita
         Antônio Anastasia       

 

Um dos assuntos inevitáveis foi a rivalidade entre PT e PSDB que, por vezes, se transforma em aliança. O governador lembrou que a diferença entre os dois partidos foi substituída uma vez por um acordo na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte em 2008, quando o então prefeito, Fernando Pimentel (PT), e o ex-governador Aécio Neves (PSDB) se uniram para lançar um candidato, Márcio Lacerda (PSB).

No entanto, ele destacou que em São Paulo um cenário parecido talvez não fosse viável, onde os dois partidos são rivais históricos. Interessante que ele buscou o argumento do político mineiro conciliador, que Aécio utiliza com frequência, para justificar que em Minas uma conversa entre as duas legendas é possível.

Seguindo o tema da rivalidade, Anastasia também esbarra na eleição presidencial de 2010. Na ocasião, Aécio Neves teria sido convidado para ser vice de Serra; e Fernando Henrique Cardoso comentou, meses após a eleição, que a aceitação de Aécio poderia ter representado o sucesso da chapa tucana. O governador de Minas, com certa cautela, defende a recusa de Aécio ao cargo de vice e afirma que tal decisão parte de uma frustração dos mineiros, no sentido de que desde Tancredo Neves, eles estariam esperando a presidência.

Ainda nesse cenário, quase como uma resposta de Minas à candidatura de Serra, ele lembra que foi “inevitável” impedir o que ficou conhecido como “voto Dilmasia” – voto em Dilma e Anastasia. Segundo ele, o PSDB mineiro fez a sua parte saindo em campanha por Serra, no entanto, os mineiros decidiram pelo continuísmo tanto estadual quanto federal.

José Serra, na lista de possíveis candidatos à prefeitura de São Paulo, ainda é um nome forte dos tucanos quando o assunto é a sucessão presidencial de 2014. Quanto a isso, Anastasia é ainda mais criterioso, e apenas confirma que Aécio está preparado, mas que é importante trabalhar sua imagem em outras regiões do país. Mas destaca que “é o momento de ter um candidato do PSDB, que não seja de São Paulo, um candidato de outro estado, no caso, Minas Gerais que é o segundo maior eleitorado da Federação em termos de população, com uma tradição política muito forte”.

Antônio Anastasia (programa exibido em 05/12/11)

Dois temas parecem se arrastar para o cenário eleitoral de 2014. Um deles é a manutenção da polarização entre PT e PSDB. Outro é a disputa interna do PSDB entre Serra e Aécio.

 

*O título “A voz das Gerais” é original de uma reportagem do jornal Estado de Minas, da 2ª edição do dia 05 de março de 2010. Na ocasião, o texto se referia à cobertura da inauguração da Cidade Administrativa de Minas Gerais que contou com a presença, entre outros, de José Serra. Segundo a reportagem, a cerimônia foi interrompida diversas vezes por gritos de “Aécio presidente”.