A queda na popularidade da Presidente Dilma e a irritabilidade do eleitorado brasileiro

A popularidade da Presidente Dilma Rousseff só fez cair, neste ano eleitoral de 2014, revelam os dados do IBOPE. A opinião de que o Governo Dilma é ótimo ou bom obtinha 43% das respostas no final de 2013. Esta avaliação caiu para 39%, depois para 36%, e agora atinge 34%. Já a visão de que o Governo é ruim ou péssimo saltou de 20 para 30%. Em abril, pela primeira vez neste ano, os que desaprovam a maneira de Dilma de governar superam os que aprovam (48 x 47%, respectivamente). Para uma Presidente que já teve mais de 60% de ótimo / bom, e aprovação de seu desempenho pessoal em quase 80%, o mergulho da popularidade é surpreendente. Além disso, percebe-se uma irritabilidade do eleitorado, com temas como a Copa do Mundo, a inflação, e com antigos flagelos brasileiros, como a saúde e a educação.

IBOPE - Eleições Presidenciais 2014
IBOPE – Eleições Presidenciais 2014

Os últimos meses têm sido particularmente desafiadores para o Governo do PT. Após queda abrupta de popularidade, com as manifestações de junho de 2013, a Presidente Dilma iniciou uma recuperação parcial, no segundo semestre do ano passado. Porém, 2014 traz novamente desgaste para a candidata petista. A inflação voltou a subir, especialmente no grupo dos alimentos, afetando diretamente o humor do cidadão. Nos últimos meses foram veiculados em rádio e TV, as inserções e os programas partidários, de Marina Silva e Eduardo Campos pelo PSB, e de Aécio Neves pelo PSDB, ambos com artilharias voltadas para o Governo Federal, como era de se esperar. Também, a cobertura noticiosa sustenta conteúdos desfavoráveis ao PT, com denúncias envolvendo a Petrobras.

No que diz respeito à corrida presidencial, Dilma Rousseff mantém vantagem sobre os adversários, vencendo em primeiro tuno – ainda que com uma margem bem menor do que já apresentou no passado. Porém, a situação da Presidente tem se deteriorado a cada rodada de pesquisas, e muitos analistas apontam que os candidatos da oposição, especialmente Eduardo Campos, ainda são bem menos conhecidos do conjunto da população brasileira. Uma vez iniciado o horário eleitoral, estes candidatos poderiam capitalizar melhor o sentimento crítico que permeia a visão dos brasileiros. De fato, as últimas sondagens mostram que, apesar da liderança de Dilma nas intenções de voto, o sentimento por mudança supera o sentimento por manutenção das políticas governamentais atuais. Cenário que tende a favorecer a oposição.

Esta variável, do sentimento médio do conjunto do eleitorado, tem se mostrado relevante. A própria Presidente Dilma saiu de uma posição de desconhecida do eleitor comum, para a vitória, em 2010, porque era a representante da continuidade de um Projeto amplamente aprovado pela maioria do povo. A maioria das pessoas, na ocasião das eleições de 2010, desejava a manutenção das políticas públicas associadas ao Governo Lula, daí um ambiente propício para o crescimento da candidatura que indicava este caminho. Nas eleições paulistanas de 2012, havia predominância de sentimento de mudança, com desgaste da administração Kassab. Com isso, a liderança de Serra, associado à situação, cedeu lugar ao crescimento de Fernando Haddad, que saiu de 3% nas pesquisas para se tornar prefeito.

Ainda é cedo para dizer se o sentimento mudancista do eleitorado brasileiro será suficiente para alavancar um dos candidatos da oposição, ou mesmo se será mantido até outubro. Um evento terá peso proeminente nesta equação: a Copa do Mundo. O próprio desempenho da seleção no mundial, a realização dos jogos e dos demais eventos, e a magnitude das manifestações que devem ocorrer no período, são elementos que tendem a influenciar fortemente o humor do eleitorado. É preciso considerar que a Presidente Dilma contará com uma vantagem expressiva no horário eleitoral e nas inserções de mídia, ao longo da campanha, o que consiste em uma vantagem significativa. Nos estados, a petista também conta com mais palanques e apoio mais estruturado. É impossível ignorar, ainda, o peso da máquina, em uma disputa nacional. De todo modo, para além dos números apontados pelos institutos, muitos fatores, nem tão explícitos, compõem a disputa presidencial de 2014.

[author] [author_image timthumb=’on’]https://www.imakay.org/compol/wp-content/uploads/Ruan-01-rosto.jpg[/author_image] [author_info]Ruan Carlos Brito é graduado em Comunicação Social pela UFPA, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, especialista em Comunicação e Política pela UFBA, e membro do GITS – Grupo de pesquisa em Interação, Tecnologias digitais e Sociedade, da UFBA. Twitter: @CrapulaMor. [/author_info] [/author]