A percepção do Governo Dilma após a primeira metade do mandato

O primeiro mandato da presidente Dilma chega à metade com avaliação bastante positiva, é o que revelam pesquisas Datafolha e IBOPE, divulgadas ontem e hoje. Em ambas, o Governo Dilma mantém 62% de ótimo / bom, e apenas 7% de ruim / péssimo. A aprovação ocorre apesar de algumas dificuldades que este final de segundo ano de mandato trouxe para a presidente: desgaste político desencadeado pela operação Porto Seguro, que atingiu o gabinete da presidência em São Paulo; um crescimento bastante modesto do PIB, de 0,6 no terceiro trimestre, que pode levar a um crescimento anualizado abaixo de 1% em 2012; um duro artigo da revista The Economist, que chegou a pedir a cabeça do Ministro da Fazenda; uma inflação que volta a um patamar incômodo; e uma produção industrial que continua patinando, mesmo com todos os esforços do Governo para estimular a economia. Essas adversidades podem ter impedido que a popularidade do mandato Dilma continuasse subindo, mas não debilitou em nada o prestigio da presidente.

Um levantamento do IBOPE, produzido em virtude das eleições municipais de 2012, traz as avaliações da presidência e dos governos estaduais e municipais, em todas as capitais brasileiras. Por este levantamento, é possível verificar que a avaliação do Governo Federal varia de acordo com a cidade, mas permanece sempre em patamares elevados, especialmente quando comparada com as avaliações dos governadores e dos prefeitos. Os índices de ótimo e bom do Governo Dilma vão de 50 a 73%, o que implica uma média bem próxima dos 62% das pesquisas nacionais. As piores avaliações da presidência estão em Vitória – ES (50% de ótimo e bom), Salvador – BA (51%), Aracaju – SE (51%), Goiânia – GO (53%), Curitiba – PR (54%), Porto Velho – RO (57%) e Maceió – AL (57%), que ainda podem ser consideradas taxas de aprovação satisfatórias. Já os melhores desempenhos do Governo Federal estão em Fortaleza – CE (73%), Macapá – AP (73%), Belo Horizonte – MG (72%), Manaus – AM (72%), Boa Vista – RR (68%), Palmas – TO (68%) e São Luís – MA (68%), conforme tabela abaixo.

A avaliação de Dilma só não supera a dos governadores Tião Viana – Acre (72 x 66%) e Eduardo Campos (68 x 61%). Entre os prefeitos, Dilma só tem menos popularidade que Raimundo Angelim, de Rio Branco. De modo geral, o Governo Federal é mais bem avaliado que os governos estaduais, que são mais bem avaliados que os governos municipais. Interessante notar que, considerando as capitais, o governador mais popular não é Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, como pesquisas anteriores mostraram, mas Tião Viana (PT), do Acre. Em seguida vem Omar Aziz (PSD) do Amazonas e, em terceiro, aparece Campos. Em quarto, está André Puccinelli (PMDB) do Mato Grosso do Sul e, em quinto, Antônio Anastasia (PSDB), de Minas. O ranque dos prefeitos é: Raimundo Angelim (PT) de Rio Branco, Luciano Agra (PSB) de João Pessoa, Nelson Trad (PMDB) de Campo Grande, Eduardo Paes (PMDB) do Rio de Janeiro e José Fortunati (PDT) de Porto Alegre.

Para a presidente, o cenário deve melhorar ou piorar a depender primordialmente da situação econômica, que se vincula a muitos fatores externos, mas também a elementos internos. As crises nos países europeus e nos EUA continuam graves, mas muitos analistas apontam que a situação não deve se deteriorar. No Brasil, o Governo tenta implementar uma agenda de estímulos econômicos, focada principalmente nos investimentos: juros em patamares baixos, redução na tarifa de energia, cambio desvalorizado, isenção na folha de pagamento, pacotes de concessões para estradas, ferrovias, portos, aeroportos etc. A questão aqui é até que ponto esses esforços serão suficientes para a recuperação brasileira, e se a máquina pública terá eficiência para executar as ações no volume em que pretende. A próxima metade do mandato de Dilma será, portanto, decisiva. Há muito em jogo, e tanto a oposição, como setores da própria base aliada, estão apenas à espera de uma oportunidade para propor uma alternativa ao país.

[author] [author_image timthumb=’on’]https://www.imakay.org/compol/wp-content/uploads/Ruan-01-rosto.jpg[/author_image] [author_info]Ruan Carlos Brito é graduado em Comunicação Social pela UFPA, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, especializando em Comunicação e Política pela UFBA, e membro do GITS – Grupo de pesquisa em Interação, Tecnologias digitais e Sociedade, da UFBA. Twitter: @CrapulaMor. [/author_info] [/author]