1º dia de reunião do GT Comunicação e Política (COMPÓS)

No primeiro dia de reunião dos grupos de trabalho (quarta-feira 28/05), o GT Comunicação e Política discutiu, pela manhã, dois trabalhos. O primeiro, intitulado Internet e transparência política, de autoria do vice-coordenador do GT, Jamil Marques, examinou, com base na revisão de literatura, os conceitos, oportunidades e obstáculos associados às experiências de e-Transparency. A primeira parte do texto discutiu o conceito de transparência. Em um segundo momento, examinou os modos pelos quais recursos de comunicação digital podem facilitar o aperfeiçoamento de tal princípio e, na sequência, buscou refletir acerca das dificuldades e dos desafios para se incrementar a transparência por meio dos recursos de internet. O trabalho foi relatado tanto por Alessandra Aldé (UERJ) e João Guilherme Santos, quanto pelo coordenador do GT, Luís Felipe Miguel.

Arthur Ituassu trouxe a representação política ao debate através do seu paper E-representação como teoria política: comunicação social, internet e democracia representativa. O trabalho, relatado por Kelly Prudêncio (UFPR), tinha como principal objetivo discutir uma teoria sobre as potencialidades da comunicação política digital para a representação democrática. Para tanto, o autor analisou o lugar da representação na teoria da democracia, a relação entre representação e comunicação e as possíveis contribuições que a comunicação política digital poderia trazer à representação democrática.

A segunda sessão do dia contou com a apresentação de três trabalhos. O primeiro, intitulado Quando cultura política e subcultura jornalística andam de mãos dadas: a desconfiança na política em tempos de escândalos, de autoria de Liziane Soares Guazina (UnB) e relato de Flávia Biroli (UnB) e Fernanda Ferreira Mota, buscou discutir as relações entre a cultura política e a subcultura jornalística, a partir da análise da prática jornalística de denúncias em casos de escândalos políticos. O principal argumento da autora é que os meios de comunicação tradicionais, nestes casos, tendem a praticar coberturas adversárias à política e aos políticos, contribuindo para a manutenção do valor da desconfiança na política brasileira e valorizando a centralidade de seu próprio papel na cena pública. Ao longo do texto, buscou-se localizar a desconfiança na política e nos políticos como um valor presente na cultura política brasileira dominante e discorrer sobre como o valor da desconfiança é fundamental para a constituição do próprio ethos profissional jornalístico e para a prática jornalística (especialmente em períodos de escândalos).

Em sequência, Eleonora de Magalhães e Afonso de Albuquerque (UFF) apresentaram o paper Jornalistas sem jornal: a “blogosfera progressista” no Brasil, relatado por mim e Wilson Gomes. O artigo se propõe a analisar o fenômeno da blogosfera progressista, que se desenvolveu no Brasil nos últimos anos tendo em vista a combinação de três fatores fundamentais: 1) novas tecnologias da comunicação (a internet); 2) uma cultura profissional que percebe as organizações jornalísticas como um obstáculo ao pleno desenvolvimento do jornalismo; 3) o fortalecimento do jornalismo partidário, especialmente na América Latina – relacionado à “virada à esquerda” que levou ao poder agentes que, historicamente, ocuparam papel marginal no cenário político.

A tarde de debates foi encerrada com o trabalho de Fernando Lattman-Weltman (FGV) e Viktor Chagas (UFF), intitulado Mercado futuro: um modelo analítico para a economia política dos meios impressos. O trabalho, relatado por Sandra Bitencourt de Barreras e Maria Helena Weber, é parte da pesquisa sobre a economia política dos meios impressos no Brasil contemporâneo. Nesta atual etapa de pesquisa, os autores propõem um exercício teórico e metodológico sobre o panorama político-conjuntural destes veículos e sua inserção em diferentes sistemas de mercados, a saber o mercado da venda direta, o mercado publicitário e o mercado discursivo público. Levando em consideração estes sistemas, e com dados obtidos de diversas bases, busca-se construir, através de diversas variáveis, um primeiro modelo analítico que possa contribuir para investigações do gênero.

Ao final do longo dia de trabalho, houve o lançamento de diversos livros, com sessão de autógrafos dos autores, e homenagem ao professor Eduardo Peñuela Canizal, um dos fundadores da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e um dos grandes responsáveis pela consolidação da área da comunicação em nosso país.