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Em 2011, em termos políticos, as mídias sociais foram usadas pra quê?

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Final de ano sempre traz consigo uma clima meio de reflexão sobre o que passou, então a proposta aqui é lembrar um pouco alguns usos que foram feitos do Twitter em termos políticos. Claro que os usos foram inumeráveis, mas a ideia aqui é ressaltar alguns deles para ajudar-nos a tentar construir um panorama geral de uso político da ferramenta.

– Primavera Árabe: onda de protestos ocorrida no norte da África e Oriente Médio contra governos ditatoriais. Apesar de reunir países com realidades e reivindicações distintas, a Primavera Árabe teve em comum um uso extensivo das mídias sociais. As revoluções do Egito, em especial, ganharam muita repercussão na rede e figuram, inclusive, entre os temas mais comentados do ano no Twitter.

– Churrasco de gente diferenciada: o evento em protesto à recusa dos moradores de Higienópolis – SP de que uma estação de metrô fosse instalada no bairro foi marcado pelo Facebook e recebeu mais de 49 mil confirmações de presença. O evento teve de ser remarcado devido ao temor dos órgãos públicos de que ele pudesse causar transtornos no bairro. Após remarcação, o evento contou com cerca de 600 participantes. Veja matéria sobre o tema.

– Revoltas em Londres: os protestos que começaram com a morte de Mark Duggan supostamente por abuso da polícia londrina prosseguiu por vários dias e locais da capital britânica. Aqui o protagonismo em termos de mídias sociais foi do BlackBerry Messenger – rede de troca de mensagens instantâneas entre detentores do celular da marca -, que teria facilitado a organização dos manifestantes. Veja como o BBC cobriu o tema.

– Marchas anti-corrupção: uma série de manifestações contra a corrupção no Brasil foram marcadas e articuladas via Twitter e Facebook. Sem bandeira específica ou vinculação partidária direta, centenas de pessoas confirmaram presença via rede e esse número chegou a ser significativo mesmo nas marchas presenciais em algumas capitais do país. Veja as páginas do Facebook sobre o tema aqui e aqui.

– Occupy Wall Street: a ocupação do centro financeiro americano em protesto com o sistema financeiro global também contou com as mídias sociais para mobilizar pessoas. O perfil do Twitter hoje conta com mais de 130 mil seguidores. Segundo dados da página deles na Wikipedia, em outubro deste ano uma em cada 500 hashtags usadas no Twitter se referia ao movimento de ocupação (a hashtag mais usada foi #ows).

A ideia deste post não é, de forma alguma, atribuir a causalidade qualquer uma das manifestações citadas simplesmente às tecnologias utilizadas, mas, apenas relembrar o que, em termos políticos, aconteceu nesses espaços de sociabilidade que usamos diariamente para coisas e temas tão diversos.

Nina Santos
Nina Santos é doutoranda no Centro de Análise e Pesquisa Interdisciplinar sobre os Media (CARISM) da Universidade Panthéon-Assas. Tem mestrado em Comunicação e Culturas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia e especialização em Comunicação e Política pela mesma instituição. Tem experiência profissional no campo da comunicação política, democracia eletrônica e mídias sociais. Durante três anos e meio foi Editora de Mídias Sociais do Instituto Lula.

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