Um relato sobre o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo

A eleição municipal em São Paulo tem chamado bastante atenção, por todo o país, pela importância da cidade e pela participação de políticos que já tiveram atuação nacional, como é o caso do ex-ministro Fernando Haddad, do PT, e do ex-governador e ex-presidenciável tucano, José Serra. O primeiro debate entre os candidatos paulistanos foi realizado pela Band, nesta última quinta-feira, 02 de agosto, e algumas características relevantes ficaram evidenciadas. A gestão Kassab não foi tão criticada quanto se esperava. Por sua vez, Haddad passou boa parte do tempo que teve à sua disposição tendo de se explicar – sobre o Maluf, sobre o Mensalão, sobre problemas da gestão Marta Suplicy, sobre problemas do Governo Federal.

Fonte: IG - Último Segundo

A primeira pergunta dirigida ao Haddad, formulado por Carlos Gianazzi (PSOL), abordava o combate à corrupção e, também, a aliança com Maluf. Haddad voltou a utilizar o discurso das alianças com partidos, e não com os indivíduos. Mas o apoio do PP saiu por um preço caro, que o petista ainda paga. Já a pergunta sobre o Mensalão veio de um jornalista da própria Band. Sobre ela, Haddad alegou, principalmente, que já tem passagem pela máquina pública, mas não consta contra ele nenhuma denúncia, mas sim iniciativas de combate à corrupção, por exemplo, no MEC. Em um enfrentamento direto com Serra, Haddad criticou a taxa da inspeção veicular, enquanto Serra foi mais enfático em sua fala, chamando de descalabro a taxa do lixo, criada na gestão do PT e extinta na gestão atual. O tucano ainda criticou a situação das contas públicas de São Paulo, ao fim da gestão Marta.

A característica nacionalizada desta eleição, ao que parece, não parte apenas daqueles que a observam, mas os próprios candidatos contribuíram neste sentido, no debate da Band. Não somente no que se refere ao discurso da parceria com a presidência, mas, também, de modo atípico: com a abordagem de temas relativos ao Governo Federal. Soninha Francine, por exemplo, fez uma crítica veemente à isenção do IPI, para estimular a compra de carros, o que leva a um trânsito mais caótico e ao endividamento das pessoas. Por sua vez, o candidato do PSOL condenou a visão do Ministro da Fazenda, de que os 10% do PIB para a educação quebrariam o país. Para Gianazzi, este percentual de investimentos seria importante para quebrar “a ignorância” e não o país. Um momento de desconforto para Serra foi quando Gianazzi exibiu um exemplar do livro “A Privataria Tucana”, mas, também nesse caso, as críticas ao tucano estavam mais relacionadas a questões nacionais, e não municipais.

Os momentos mais descontraídos ficaram por conta dos enfrentamentos entre José Serra e Levy Fidelix. Os dois debateram por duas vezes, sempre sobre a questão dos transportes, com várias referências ao Aerotrem – bandeira histórica de Fidelix, que foi implementada recentemente em São Paulo por Serra, sob o nome de Monotrilho. O programa CQC, da Band, já havia questionado o tucano sobre o suposto “plágio”. Ao contrário do que se poderia esperar, a gestão Kassab não foi tão criticada, o que foi providencial para Serra. É comum que a gestão da vez seja o principal objeto das reclamações, como se tem notícia que ocorreu em Goiânia e Porto Alegre. Em São Paulo, curiosamente, foi o candidato de oposição de maior potencial de crescimento, Fernando Haddad, quem teve de enfrentar cobranças e temas espinhosos.
[author] [author_image timthumb=’on’]https://www.imakay.org/compol/wp-content/uploads/Ruan-01-rosto.jpg[/author_image] [author_info]Ruan Carlos Brito é graduado em Comunicação Social pela UFPA, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, especializando em Comunicação e Política pela UFBA, e membro do GITS – Grupo de pesquisa em Interação, Tecnologias digitais e Sociedade, da UFBA. Twitter: @CrapulaMor. [/author_info] [/author]