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Debates eleitorais

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Nos Estados Unidos, os debates eleitorais na TV são tradicionais. Movimentando o eleitorado e a mídia, registram importante audiência. No Brasil, eles ganham força desde o seu conturbado início na década de 1970. O primeiro debate ocorreu em 1974, no Rio Grande do Sul, entre Nestor Jost (Arena) e Paulo Brossard (MDB), na disputa para o Senado; dois anos depois, a Lei Falcão proibiu a realização de debates. Em 1982 tivemos novo debate, para o governo de São Paulo e, no mesmo ano, o Tribunal Superior Eleitoral retomou a proibição do evento. A partir das eleições presidenciais de 1989, os debates ganharam fôlego e têm se credenciado como importante estratégia nas campanhas eleitorais.

Podemos pensar na importância dos debates sob alguns aspectos: expandir as fontes de informação dos eleitores; proporcionar o embate direto de ideias e propostas entre os candidatos; permitir a apresentação de novas propostas; e o posicionamento dos candidatos a respeito de determinados temas, por vezes, polêmicos e que nem sempre ganham espaço em outros momentos da campanha. Os candidatos são avaliados a todo momento pelos eleitores, tanto por seus argumentos e propostas de governo, quanto por sua performance no debate. Nas últimas eleições, assistimos ao acirramento das disputas e, naturalmente, maior investimento do ponto de vista do marketing político. Os debates e as sabatinas nos principais telejornais do país tornaram-se mais frequentes e entraram para a agenda de campanha dos candidatos, que utilizam tais eventos, sobretudo, para a avaliação das estratégias empreendidas nas campanhas.

Nas eleições presidenciais de 2014, notadamente no segundo turno, o debate polarizado deveria permitir mais tempo para exposição de propostas de governo aos eleitores e a discussão mais aprofundada sobre temas relevantes para o país. No entanto, o que se observa é a troca de ataques e acusações, e a prevalência da campanha negativa, de ambos candidatos.

Interessante destacar dois temas, economia e corrupção, que estão presentes em todos os debates e são exaustivamente discutidos, porém, sob a ótica da acusação e da provocação. Sobre isso, alguns estudiosos propõem que a corrupção pode se tornar um tema relevante em momentos nos quais as condições econômicas apresentam problemas e os cidadãos tendem a aumentar a sua percepção em relação à corrupção.

Audiência

As principais emissoras de televisão do Brasil já incluem em sua agenda um dia reservado para o debate entre os presidenciáveis. Normalmente, trata-se de um programa especial que não desperta a atenção dos telespectadores, seja pelo avançado horário de início, ou mesmo pelo teor das discussões ali travadas. Mas neste ano, na esteira das peculiaridades desse cenário eleitoral como tem apontado muitos especialistas, os debates surpreendem em termos de audiência.

De acordo com o monitoramento realizado pela Band, durante o último debate realizado em 14 de outubro, a audiência foi maior que a registrada pela emissora durante alguns jogos do Brasil na Copa do Mundo. Durante o debate realizado ontem, 16 de outubro, às 18 horas, pelo Uol, SBT e Jovem Pan, a média de audiência foi de 9 pontos, deixando o SBT em segundo lugar no horário.

Em Belo Horizonte, alguns bares estão apostando na popularidade dos debates e na característica quase futebolística da disputa eleitoral e transmitem os debates ao vivo.

 

Calendário dos debates

14/10 Band 22h15

16/10 SBT (parceria com UOL e Jovem Pan) 18h

19/10 Record 22h15

24/10 Globo (a definir)

 

Referências

CARLIN, D. B. et al. The Third Agenda in U.S Presidential Debates: DevateWatch and Viewer Reactions 1996-2004. [S.l.]: Preager, 2009.

CASAS, Diana Paola Medina; ROJAS,Hernando. Percepciones de corrupción y confianza institucional. In: ROJAS, Hernando; OROZCO, Margarita M.; Zúñiga, Homero Gil; Wojcieszak, Magdalena (eds.). Comunicación y ciudadanía. Colômbia: Universidad Externado de Colombia, 2008.

COLEMAN, S. Meaningful Political Debares in the Age the Soundbite. In: (ED), S. C. Televised Election Debartes: International Perspectives. New York: Martin ́s Press, 2000. p. 1-24.

VASCONCELLOS, F. Debates presidenciais na TV como dispositivos complementares de informação política no Brasil: Características e estratégias. IX Encontro da ABCP, Brasília,DF, 2014.

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Érica Anita
Érica Anita Baptista é jornalista e Mestre em Comunicação Social - Interações Midiáticas - pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Atualmente, é doutoranda em Ciência Política na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Grupo “Opinião Pública, Marketing Político e Comportamento Eleitoral”, sediado na mesma instituição. É, também, pesquisadora no Centro de Investigação Media e Jornalismo, com sede na Universidade Nova de Lisboa. Paixões são muitas: Metallica, Pearl Jam, animais, filmes de terror... No futebol, o coração é Atleticano.

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