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Corrupção: percepções e ocorrências

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O Banco Mundial propôs uma definição em que a corrupção seria o ato de abuso do poder em benefício privado, incluindo também pagamento ou recebimento de subornos, trafico de influência, favoritismos, etc. E não se trata de um ilícito apenas no setor público, pode ocorrer no setor privado também.

A literatura e as pesquisas mostram que a corrupção não é uma exclusividade de países menos desenvolvidos e que as nações desenvolvidas também apresentam esse problema em sua lista de preocupações (CASAS, ROJAS, 2004). A diferença que parece ser mais evidente são as medidas que os governos estabelecem para o combate efetivo da corrupção.

A corrupção política e a percepção da corrupção carregam e acarretam inúmeros outros problemas, e dentre os mais relevantes, podemos citar a redução da confiança nas instituições e a descrença na política. Cunha (2014) comenta, ainda, que a percepção de impunidade, em função da incapacidade do sistema penal de se modernizar no combate à corrupção, encoraja os atos ilícitos e também contribui no aumento do descrédito dos cidadãos com a política.

Encontramos, ainda, estudos que associam a maior percepção da corrupção a situações de crises (CASAS, ROJAS, 2004), o que também não deixa de ser muito evidente em casos como o de países europeus na atualidade. Um exemplo é Portugal que de 2005 a 2011 aumentou sensivelmente seu índice de percepção da corrupção, coincidindo não apenas com a divulgação de importantes casos de corrupção, mas também com dificuldades financeiras enfrentadas pelo país.

Em 2013, o Instituto Gallup (link) realizou uma sondagem em 160 países e constatou que Portugal está entre aqueles com maior incidência de corrupção no governo, à frente até mesmo do Brasil, ao contrário do que muitos acreditavam.

Outro dado importante é o custo da corrupção. Ainda em 2010, o relatório da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) mostrava que a corrupção custava ao Brasil entre R$ 41,5 a 69,1 bilhões (média anual). Podemos dizer que a divulgação desse tipo de informação pode, em alguma medida e a longo prazo, também interferir na percepção da corrupção pelos cidadãos.

Como medida para promover ampla discussão a respeito do tema, a Assembleia Geral das Nações Unidas, em outubro de 2003, oficializou o dia 9 de dezembro como o Dia Internacional Contra a Corrupção. Além de outras importantes ações, como maior transparência de gastos e contas públicas.

Referências

CASAS, Diana Paola Medina; ROJAS,Hernando. Percepciones de corrupción y confianza institucional. In: ROJAS, Hernando; OROZCO, Margarita M.; Zúñiga, Homero Gil; Wojcieszak, Magdalena (eds.). Comunicación y ciudadanía. Colômbia: Universidad Externado de Colombia, 2008.

CUNHA, I. F. Visibilidade da cobertura jornalística da corrupção política e indicadores de opinião pública. In: CUNHA, I. F.; SERRANO, E. (orgs.). Cobertura jornalística da corrupção política: sistemas políticos, sistemas mediáticos e enquadramentos legais. Lisboa: Alethêia Editora, 2014. Pp. 371-420.

 

Em 2014, a Transparência Internacional divulgou novo índice de corrupção:

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Érica Anita
Érica Anita Baptista é jornalista e Mestre em Comunicação Social - Interações Midiáticas - pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Atualmente, é doutoranda em Ciência Política na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Grupo “Opinião Pública, Marketing Político e Comportamento Eleitoral”, sediado na mesma instituição. É, também, pesquisadora no Centro de Investigação Media e Jornalismo, com sede na Universidade Nova de Lisboa. Paixões são muitas: Metallica, Pearl Jam, animais, filmes de terror... No futebol, o coração é Atleticano.

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