Embate político nas redes: o caso Romário x PT

Em sua Página no Facebook, o Partido dos Trabalhadores publicou uma postagem criticando o deputado federal Romário (PSB / RJ). A postagem, em tom irônico, denunciava a suposta contradição do deputado, que faz sucessivas críticas à realização da Copa do Mundo no Brasil, mas ao mesmo tempo aceitou participar de campanhas publicitárias que utilizam o Mundial como tema. A postagem da Página do Partido dos Trabalhadores, que usou expressões como “chute de canela” e “de bobo esse baixinho não tem nada” obteve mais de 3.200 curtidas, e mais de 6.100 compartilhamentos. No mesmo dia, a Página do deputado Romário postou uma réplica ao PT, falando em #mimimipetista. A postagem do socialista alcançou mais de 77.200 curtidas e mais de 40.600 compartilhamentos.

Postagem do PT
Postagem do PT

A crítica do Partido dos Trabalhadores, pelo que se observa nos números, resultou em um saldo negativo de imagem nas redes. A repercussão da postagem petista foi algumas vezes inferior à disseminação do conteúdo veiculado pelo deputado do PSB. Romário também foi bastante duro, afirmando que, ao contrário do PT, “joga limpo” e que “o governo do PT, que superestimou o evento, está colhendo os frutos que plantou com a revolta da população”. No caso, a publicação do deputado obteve engajamento não apenas dos seus eleitores, como também dos grupos antipetistas, além de ter capitalizado o forte sentimento de insatisfação com a realização da Copa no Brasil.

Postagem-Romario

De fato, Romário cumpre com a sua obrigação legislativa, quando fiscaliza obras públicas. Especialmente, considerando-se que o congressista foi presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados. É natural o acompanhamento e a denúncia do que está inacabado e atrasado. Além disso, a postagem do Partido dos Trabalhadores parece pouco eficiente, do ponto de vista da comunicação política. A indignação diante da quantidade de obras que não ficarão prontas para o Mundial não se restringe ao Romário. Ao contrário, é uma visão bastante comum. Singularizar o deputado, na elaboração de um conteúdo sobre o tema, parece inócuo. Mais ainda por se tratar de uma personalidade com forte influência nas redes. Não se resolve um problema, e cria-se outro. O principal resultado da postagem do PT foi mais desgaste para o partido.

Por outro lado, pode-se verificar que Romário não apenas faz críticas a obras que não ficarão prontas. Este tema tem consistido mesmo em uma das principais bandeiras do mandato. A Página do socialista mantém uma espécie de campanha com críticas à Copa, com postagens regulares que utilizam o slogan “não vai sair, parece”. O mandato também criou o site www.naovaisair.com.br que reúne conteúdos nesta linha. Romário fez das críticas à Copa uma agenda, e lucra com ela – financeiramente e eleitoralmente. Na resposta ao PT, o deputado afirma que “não souberam planejar, superfaturaram obras, não entregaram as que prometeram”, com sujeitos confortavelmente genéricos nas frases. Por mais que tenha superestimado o evento, o Governo do PT não pode, por conveniência política, ser cobrado isoladamente. Prefeituras e Governos de Estados, como o do também socialista Eduardo Campos, dividem a responsabilidade.

De todo modo, ainda é muito comum, especialmente no meio político, a compreensão de que a Internet serve para estratégias de comunicação mais agressivas, desrespeitosas ou até apelativas. Indo além deste caso envolvendo PT e Romário, é frequente o uso de expedientes como conteúdos apócrifos e exércitos de fakes, nas mídias sociais. Isso sem falar em movimentos muito mais obscuros e graves, como o que supostamente teria acontecido nas negociações entre uma agência de publicidade e o criador da personagem Dilma Bolada – conforme denúncia. Conteúdos online admitem um grau de informalidade, de irreverência e de ousadia, que outras mídias nem sempre permitem. Porém, isso não significa que seja interessante apostar no vale tudo. Por enquanto, muitos dos que estão à frente destas atividades ainda apostam no “chute na canela”. Mas aí também vale aquela velha máxima: quem fala o que quer ouve o que não quer.