As estratégias dos presidenciáveis nas mídias sociais

As próximas eleições presidenciais estão se aproximando, e os principais candidatos já começam a executar algumas de suas estratégias de campanha. Além do tempo no Rádio e na TV a que os partidos têm direito, os presidenciáveis também já desenvolvem suas comunicações na Internet. A cada eleição, cresce a quantidade de cidadãos com acesso às redes. Com isso, aumenta o público potencial das estratégias políticas online. O Facebook e o Twitter estão entre as ferramentas mais utilizadas, e alguns dos conteúdos publicados nas mídias sociais ganham repercussão, aparecendo também no noticiário dos meios tradicionais e alterando relações políticas. Para as eleições de 2014, espera-se que a Internet tenha um papel relevante no mix de comunicação e já é possível observar, nas redes, aspectos dos discursos dos presidenciáveis.

No Facebook, os três principais candidatos à Presidência da República possuem Páginas. Nesta plataforma, o candidato tucano Aécio Neves larga na frente, com 451 mil seguidores. Em sua Página, a campanha de Aécio dá preferência a conteúdos políticos, de resgate do legado tucano – em especial, de valorização do Plano Real – e de críticas gerais ao Governo do PT. Também existem postagens de encontros políticos com aliados e com possíveis candidatos da coligação nos estados. Mas a Página também apresenta momentos pessoais e afetivos de Aécio, como uma homenagem à mãe do candidato, no dia do aniversário dela, e uma consulta de acompanhamento da gravidez de Letícia Weber, esposa de Aécio.

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Já Eduardo Campos tem hoje 359 mil curtidas em sua Página. No endereço, tem ficado cada vez mais claro o viés oposicionista da campanha do PSB. É evidente que o simples lançamento da candidatura já desafia o grupo que está hoje no Planalto, e o discurso de Campos só faz sentido se for de contraposição ao do PT. Porém, muitos ainda imaginam que o socialista vá adotar um discurso mais moderado, pela proximidade pessoal que tem com Lula, por ter feito parte dos Governos do PT, e por buscar inserção nos eleitorados petista e tucano. Porém, observamos na Página um discurso tipicamente oposicionista. Sobre o PIB de 2013, por exemplo, uma postagem diz: “ao invés de se preocupar com mais um ano de crescimento econômico baixíssimo, o governo está festejando a mediocridade”.

Na ocasião dos 20 anos do Plano Real, a Página de Eduardo Campos fez um elogio ao Plano do ex-presidente FHC, mas não perdeu a oportunidade de alfinetar o atual governo, mostrando que a inflação acumulada desde julho de 1994 chega a 347,51%: “Em matéria do portal Uol, o matemático financeiro José Dutra Vieira Sobrinho calculou que o Real teve seu poder de compra reduzido a quase um quinto do seu valor na época de lançamento”, afirma a Página de Campos. A mesma postagem menciona outra matéria, do G1, sobre o crescimento da Classe C, só que com viés crítico: “o que essa pesquisa não cita, porém, é que vivemos uma situação de consumo precário e corremos sérios riscos de perder os ganhos que conquistamos recentemente”.

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Dilma Rousseff tem uma Página, administrada pelo setor de Comunicação do PT, com 256 mil fãs. A Página, como é de se esperar, valoriza Programas, obras e investimentos federais, no Brasil, e em alguns momentos com postagens específicas para estados. Outra versão da Presidente, a Dilma Bolada, alcança sucesso muito maior, com mais de 1 milhão de curtidas. A página do ex-presidente Lula também fica à frente, com mais de 550 mil fãs. O PT tem sua própria Página, que já causou polêmica, quando postou um texto bastante crítico, contra Eduardo Campos, em que o socialista foi chamado de ‘tolo’ e de ‘playboy’. O episódio ganhou forte repercussão em outros veículos de mídia, e ajudou a esgarçar ainda mais as relações entre o PSB e o campo governista.

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No Twitter, o cenário é invertido. É Dilma Rousseff quem tem mais seguidores: mais de 2 milhões. Campos tem cerca de 14 mil. Ambos estes perfis são atualizados diariamente. Já o perfil de Aécio tem mais de 28 mil seguidores, mas o perfil encontra-se inativo, até este momento. É provável que cada vez mais cresça a relevância que as campanhas atribuem às mídias sociais. Perfis devem ser ativados, e outros devem ser criados para as demais plataformas, como o Instagram e o Youtube. Devem aumentar ainda os investimentos em profissionais da área e em formas de alcançar maior visibilidade. Conteúdos para celulares devem receber atenção especial, e o monitoramento dos nomes dos presidenciáveis, nas redes, é um recurso que vem se aprimorando com o tempo. Na Internet, a disputa presidencial de 2014 já deu a largada.