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A Grécia e a democracia como poder do povo

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A maioria do povo grego acaba de dizer não às políticas de austeridade impostas pela União Europeia ao país. A população decidiu não aceitar as condições colocadas nas inúmeras mesas de negociação, que vinham impondo desemprego e pobreza aos gregos. Em termos sociais e econômicos é uma grande vitória. Em termos políticos esta decisão é ainda mais interessante.

O primeiro-ministro grego já tinha opinião clara sobre o que fazer nesta situação: ele e seu ministro das finanças declararam publicamente que eram contra aceitar os termos colocados pela UE. Ele é um político democraticamente eleito, com poder de tomada de decisão e escolheu consultar toda a população do seu país. Voltar àqueles que lhe elegeram e perguntar-lhes sua opinião sobre um tema de tamanha importância.

O governo de Tsipras não colocou a pergunta de forma indiferente, fez campanha pelo Não desde o princípio. Enfrentou forte oposição interna, lidou com rumores de que o Sim ganharia, mas ao final, venceu o Não. O governo sai mais fortalecido que nunca. “Agora a Grécia está pronta para continuar negociando”, disse Tsipras logo após o resultado. Ele não é mais apenas o primeiro-ministro de um país periférico para a UE, é um político que recorreu ao povo e foi empoderado por ele.

O que isso significa em termos práticos da negociação entre a Grécia e União Europeia? Não sabemos ainda. Pode ser que nada mude e a Grécia saia da zona do euro. Ainda assim, o país sai fortalecido deste processo. Pode ser que o resultado do referendo mude as negociações com a EU e um meio termo nas condições de negociação seja encontrado.

Em tempos em que vemos o povo ser colocado como opositor de governos que ele próprio elegeu, o exemplo grego parece interessante. O ganho político de ouvir as vozes das ruas e conseguir representá-las é gigantesco. Mas, claro, não é só ouvir, é ter posição, expressá-la, defendê-la diariamente na esfera pública. Tsipras não lançou um plebiscito e assistiu ao desenrolar das coisas. Ele teve estratégia política e de comunicação. Esteve disposto a conversar, debater e confiar no povo do seu país. Que sirva de exemplo.

Nina Santos
Nina Santos é doutoranda no Centro de Análise e Pesquisa Interdisciplinar sobre os Media (CARISM) da Universidade Panthéon-Assas. Tem mestrado em Comunicação e Culturas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia e especialização em Comunicação e Política pela mesma instituição. Tem experiência profissional no campo da comunicação política, democracia eletrônica e mídias sociais. Durante três anos e meio foi Editora de Mídias Sociais do Instituto Lula.

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